terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sábio Índio

  Assim narra a Fábula : Uma noite, um velho índio Cherokee falou ao seu neto sobre a guerra que acontece dentro das pessoas. Ele disse: 'A batalha é entre dois 'lobos' que vivem dentro de todos nós.
     Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego. O outro é Bom. É alegria, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, bevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.'
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    O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:
    Qual lobo vence?'
 O velho Cherokee respondeu:
...Aquele que você alimenta...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O ateu histórico, o franciscano, Deus e a morte.

Leonardo Boff - Então eu disse: "Darcy, no pensamento mais originário, contemporâneo, da biologia molecular, no estilo Elya Prigogine, o caos é uma invenção da orbi, a morte é uma invenção da vida, pra vida ser mais complexa, mais alta, e a tendência da vida é buscar a sua perpetuação, a sua imortalidade. Darcy, deixa te dizer como imagino a tua chegada, o teu grande encontro. Não vai ser com Deus Pai, porque pra você Deus tem de ser Mãe, tem de ser mulher... (risos) Então tem de ser Deusa. Imagino assim: que Deus, quando você chega lá em cima, vai dizer com os braços abertos: ‘Darcy, como você custou pra chegar, eu estava com uma saudade louca de você, finalmente você veio, você não queria vir, você teve de vir e agora chegou’. E te abraça e te afaga em seu seio, e te leva de abraço em abraço, de festa em festa...". E ele emendou: "De farra em farra...". (risos) Eu digo: "Darcy, isso será pela eternidade afora". Aí ele parou e me olhou de lado, assim como que interrogando, e disse: "Como gostaria que fosse verdade! Minha mãe morreu cheia de fé e morreu tranqüila, eu invejo você, que é um homem inteligente e de fé. Eu não tenho fé. Como gostaria que fosse verdade". E aí lhe correu uma lágrima e ele ficou silencioso, estremeceu e teve um acesso de diabetes, uma queda muito grande de pressão e tiveram de levá-lo. E terminou assim a conversa. Eu ainda disse antes de ele sair: "Darcy, não se preocupe com a fé, porque Deus não se incomoda com a fé. Pelos critérios de Jesus, quem tem amor tem tudo. Então, quando a gente chega na tarde da vida como você, quem atendeu os famintos como você; crianças abandonadas como você; índios marginalizados como você; negros que você defendeu; as mulheres oprimidas, desde o neolítico ninguém louvou tanto a mulher quanto você – quem fez isso ganha tudo, porque optou pelos últimos, por aqueles que estavam em necessidade. Quem fez isso tem o reino, tem a eternidade, tem Deus. E você só fez isso". Ele respirou e disse: "Puxa, mas tem de ser verdade". Mas não conseguia dar o passo. Acho que não importa dar o passo, acho que ele teve a coerência de vida, que foi carregada de um grande sentido, de uma grande luta generosa.


FRAGMENTO DE UMA ENTREVISTA COM LEONARDO BOFF ("Caros Amigos")
Ary Carlos Moura Cardoso
Publicado no Recanto das Letras em 01/05/2009
Código do texto: T1570584

João

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Só mais um passo...

  “- Os Andes, no inverno, não devolvem os homens…” Mas nós continuávamos a procurar e durante cinco dias seguidos, sobrevoamos aquelas montanhas do fundo da Patagônia, cujos picos se erguiam até sete mil metros. “- É o inverno. Esse companheiro de vocês, se sobreviveu à queda do avião, não sobreviveu à noite…A noite lá em cima, quando passa sobre o homem, transforma-o em gelo”, disseram-nos os oficiais chilenos. Afinal, depois de sete dias, no intervalo de dois vôos, um homem grita: “-Guillaumet está vivo!” Partimos imediatamente.Quarenta minutos depois, chorávamos todos e abraçavamos com alegria o nosso amigo. Ele estava ali, vivo, ressuscitado !... Foi então, Giullaumet, que ainda tonto, você exprimiu, na sua primeira frase inteligível, um admirável orgulho da espécie: -“ O que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, era capaz de fazer…” E você contava:” Caí, o avião capotou…Esperei quarenta horas num buraco que cavei na neve, sob a carlinga do avião.Quando a tempestade amainou, comecei a andar. Andei cinco dias e quatro noites…”

     Enquanto falava, eu o imaginava andando, sem um bastão, sem víveres, escalando gargantas de 4500m, sob 40º de frio. Na neve, perde-se o instinto de conservação.Depois de dois, três, quatro dias, tudo o que se deseja é o sono… E você continuava a contar: -“Eu pensava: - minha mulher…Se ela crê que estou vivo, ela crê que estou andando. Se não continuar andando, serei um covarde…Também os amigos, eles crêem que estou andando…”






( Fato verídico, narrado por Antoine de
Saint-Exupéry no livro “Terra dos homens”)
- adaptação do texto-

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sem etiqueta

   Aquela poderia ser uma manhã como outra qualquer… Eis que o sujeito desce na estação do Metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné. Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo, para a multidão que passa por ali bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de três milhões de dólares.
   Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares. A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, INDIFERENTES AO SOM DO VIOLINO .
     A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post, era de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
    A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell no metrô era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
    Uma empresa de cartão de crédito vem investindo,há algum tempo, em propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e informa: NÃO TEM PREÇO. E é isso que precisamos aprender a valorizar. Aquilo que não tem preço porque não se compra. A amizade, o amor e a afeição…Não tem preço. Carinho, abraços e beijos… Não tem preço. Raios de sol, gotas de chuva… Não tem preço. O vento que passa, o ar que respiramos… Não tem preço.
   Tudo isso está ao nosso alcance sem preço, sem patente registrada, sem etiqueta de grife.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Breve diálogo entre Dalai Lama e Leonardo Boff


Leonardo Boff explica: "No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga: - "Santidade, qual é a melhor religião?" Esperava que ele dissesse: "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo." O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou: - "A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor."




Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar: - "O que me faz melhor?" Respondeu ele: - "Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..." Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável."